quarta-feira, 16 de maio de 2012

Sobre ser para alguém

Hoje estou sorriso.

Fazia tempo. Tanto tempo que nem lembro mais como era ter você em presença e não em olhar distante. Sorri por dentro. Dei pulos. Gritei. Foi tanto que pensei que alguém pudesse notar. Não consegui te encarar nos olhos e peço perdão. Fiquei desconcertada. Desaprendi a ter você.

Mas estou sorrindo agora por saber que parece que fui perdoada. Ou que caso não tenha sido, que isso não te impediu de perceber que ainda me importo, que ainda gosto, que ainda preciso.

Por muito tempo me puni pelas palavras que cuspi em sua cara. Depois, abracei a minha covardia e assim ficou. Assim ficamos.

Mas hoje eu estou sorrindo. Tanto que até chorar parece certo. E faz uma vida não choro de felicidade.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Uma vez me disseram que eu não sabia nada da vida.

É. Da vida eu nada sei.

Hoje mais um pouco de mim morreu. Dessa vez, por você.

domingo, 29 de abril de 2012

Ontem olhei pra tua foto e me vieram as lágrimas. Vieram, mas não ficaram. Trataram logo de ir como visita mal quista. Há quanto que não choro? Há tanto que nem tempo meço. E foram poucas as alegrias. Talvez eu esteja apenas menos vulnerável ao mundo. Gargalho. Eu menos vulnerável ao mundo? Eu, que choro até pelo mar, que sangro até pelo vento. Acho que sequei por dentro. E só.

sábado, 1 de outubro de 2011

Sobre Só

Uma vez me disseram que eu precisava ser só.

Conhecer-me só.
Melhorar-me só.
Encarar-me só.
Enfrentar meus monstros só.

É - digo depois de pensar um pouco - O que é meu, meu apenas é.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Sobre sinceridades

Quem diz que dizer a verdade não doe, não sabe das verdades que eu sei.

domingo, 24 de julho de 2011

Sobre o meu pesadelo

Suspiro pesadamente.

Acabamos mais uma conversa pela metade. Se soubesse o quanto de energia me consome me forçar a mostrar meus monstros para você... E ainda o faço. Porque és a única. Mas parece que isso não tem sido o suficiente para mim.

Acabamos mais uma conversa pela metade. E eu vou terminar um dia que nunca me pareceu ter começado, apenas ter ensaiado começar, com os meus monstros gritando loucamente dentro de mim. Eles querem sair. O que eu faço?

O que é ser são?

Perdi de novo a trilha de pão que você deixou no caminho. O vento levou. O tempo. O medo. Meu modo. Ou o nada.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Sobre necessidades

Tenho fome de você.
Tudo o que te tenho sempre parece pouco.
Quero-te devorar numa única mordida. Assim, intensa como sou. Assim, como me aceita que sou.

Não que eu veja como um adeus. É que dessa vez eu quero mais, eu quero pra sempre. É que dessa vez, me contentar com o instante estava além da minha capacidade. E tudo isso me faz pensar que há de chegar o dia em que gritarei seu nome mesmo estando carne a carne contigo, porque o instante em que paro para respirar já será tempo suficiente para sentir a sua falta.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Você tem fome de que?

Todos os dias acordo e durmo com fome, mas hoje é diferente. Hoje tive a certeza da minha inanição.

Hoje eu dormirei com fome, mastigando as lágrimas que não quero vomitar.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Sobre estilhaços

Tomaram meu mundo em uma das mãos e o chacoalharam. Chacoalharam. E chacoalharam. Agora está tudo girando e meu corpo pesa. E nada faz sentido. Nada parece precisar de sentido. Com que direito? Com direito chacoalharam meu mundo? Agora não me resta mais nada. Está tudo estilhaçado.

Hoje eu morri um pouco.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A moça do saquinho branco de papel

Encantei-me assim que te vi. Seu jeito desajeitado me chamou a atenção. Você esbarrou sua bolsa em um rapaz que estava sentado no ônibus uma vez. Então, pediu desculpas. Ele te sorriu e afastou o braço para que você, em pé, pudesse se acomodar. Você esbarrou sua bolsa no rapaz novamente. Dessa vez quem riu fui eu. De novo, pediu desculpas a ele, toda desconcertada, como se você não coubesse em si mesma.

Até que ao se sentar a minha frente, percebi um saquinho branco de papel em uma de suas mãos cheias. O blazer azul-escuro, os sapatos pretos fechados, uma presilha cor de cobre com um dos lados meio descascado segurando a franja, a xuxa azul prendendo o cabelo curto e os fios que teimavam em sair de trás da sua orelha. Uma mão brigava com eles, ensinando-os a te obedecer, e a outra segurava o saquinho branco cheio de algo que eu não pude notar ser doce ou salgado. Mas deduzi ser gostoso. Os músculos do seu rosto se mexiam em harmonia enquanto você mastigava displicentemente.

Em um momento você olhou pra cima, pro nada. Mas ele te pareceu tão digno de atenção que o desejei para mim. Virou-se para o lado e vi que a imagem bela que eu tinha de suas costas e dos perfis das suas orelhas eram falsas. Mas essa sensação nem chegou a durar: você logo voltou-se para frente ainda devorando o saquinho branco de papel e eu logo me voltei ao seu jeito desengonçado e trapalhão. Sorri internamente.

Em algum instante, você pegou o saquinho branco de papel, apertou a bolsa debaixo do braço e se levantou desconcertada. Era o nosso adeus. Tão mudo quanto fora o nosso diálogo.

Engraçado como as pessoas aparecem e desaparecem da nossa vida, não acha?